
Graffiti de Banksy em Londres. O artista frequentemente contrasta a inocência da infância com temas políticos em suas obras.
Cada geração lida com a infância de uma forma diferente. Os tempos mudam, mudam também os valores e a forma de se relacionar com os outros e consigo mesmo. Ultimamente, as crianças têm sido objeto de intensos debates, seja dentro da sociedade civil ou na academia, entre comunicólogos e cientistas sociais.
No edição de agosto/2009, a revista Superinteressante alimenta o debate com a matéria “O fim da Infância”, de Emiliano Urbim. Para a Super, assim como para vários teóricos, a infância é antes uma invenção do homem que uma determinação na natureza. Nasce no contexto das revoluções francesa e industrial (sobretudo esta última), com a obrigatoridade escolar para os pequenos, e tem seu apogeu nos anos 50. A separação entre crianças e adultos nesse período é abissal, em que “criança não se mete em coisa de adulto”. O conceito começa a definhar na segunda metade do século XX, com a popularização da TV. Morre em nossa década, pelos efeitos da era da informação. A infância, segundo a reportagem realmente interessante, embora simplista, de Emiliano Urbim, viveu 259 anos no ocidente.
A discussão rende, claro. Não sei se a infância, em termos gerais, morreu de fato, mas uma coisa é certa: as crianças estão crescendo cada vez mais rápido. Hoje é praticamente impossível afastá-las das coisas “dos adultos”. Nosso estilo de vida acelerou o amadurecimento físico e mental de nossos meninos e meninas, que chegam cada vez mais cedo à adolescência (outra invenção). O que era inconcebível nas crianças de 10 ou 20 anos atrás, hoje é natural, até mesmo comum. Prova disso é o depoimento de Rebeca Blackout, no vídeo abaixo.
Jamais saberemos ao certo o que é realidade e o que é ficção no depoimento de Rebeca. Precisa? Aos 13 anos, ele deveria estar acabando de sair da infância, descobrindo a sexualidade aos poucos. Pelo contrário, é homossexual assumido há 6 anos, nenhum pouco acanhado ao relatar suas experiências. Excessão? Não. É uma evidência de como não só as crianças, mas a forma que as enxergamos mudam com o tempo. O que há anos atrás seria um atentado à moralidade, hoje é até engraçado.
Mas o que está deixando as crianças assim? Aqui vai uma dica:
(Falha ao embedar. Clique para assistir o vídeo via LiveLeak)
Festas como essa, que aconteceu no México, também são comuns no Brasil. O som muda um pouco, talvez. O fato é que não há como criticar as crianças tendo em vista o comportamento dos adultos, que dão o exemplo. Bandas como Calypso e atrações originalmente destinadas a adultos, como o Dança dos Famosos do Faustão, já tiveram sua versão mirim. Os adultos são os que mais se divertem com essa inversão de papéis. No universo infantil propriamente dito, isso também acontece com muita frequência. Se nos anos 90 o legal era criar uma versão kids dos desenhos animados, como aconteceu com Tom & Jerry, Os Flinstones e Scooby Doo, entre outro, a onda agora é fazer as personagens crescerem. Os Rugrats (Anjinhos) e as turmas da Mônica (abaixo) e da Luluzinha tiveram que crescer pra chamar a atenção das crianças. Deu certo!
Tudo sempre muda, e cada vez mais rápido. Quando eu paro pra observar as crianças de hoje, lembro da minha infância e do quão “bobinho” eu era perto de uma delas. Vários amigos meus pensam a mesma coisa, outros nem tanto. Disso tudo, enfim, tiramos uma conclusão que dificilmente será unânime (ainda bem). A infância, como conhecíamos há algumas décadas, definivamente não existe mais. Sem juízos de valor ou saudosismo aqui, não acredito nessas mudanças que vêm pra melhor ou pra pior. O que elas fazem é transformar as coisas. Se a infância (como conhecíamos) não existe mais, é porque as crianças são outras.



1 comentário
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30 30UTC novembro 30UTC 2009 às 13:05
Karina
Por mais que seja diferente da minha, o que eu mais peço a Deus é que meu filho seja criança o maior tempo possível. Já temos tempo demais na nossa vida para sermos “adultos”, não sei porque essa pressa de “chegar lá”.